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A Mazda é o primeiro construtor a integrar a eFuel Alliance

A Mazda anunciou hoje que se tornou no primeiro construtor de automóveis a integrar a eFuel Alliance. A Aliança reúne organizações e partes interessadas que apoiam o objectivo de estabelecer e promover os e-combustíveis (combustíveis ecológicos ou e-fuels) e o hidrogénio, ambos neutros em CO2, como contribuintes credíveis e reais para a redução de emissões no sector dos transportes.

A Mazda tem sido sempre uma forte defensora de uma abordagem multi-soluções, que combine diferentes tecnologias, como a melhor forma de reduzir as emissões. A electrificação é um pilar chave no âmbito dessa estratégia multi-soluções da Mazda, sendo que, até 2030, todos os veículos Mazda ver-se-ão electrificados. No entanto, muitos veículos irão continuar a ter um motor de combustão interna.

Ao longo da sua história, a Mazda tem sempre apostado no desenvolvimento de automóveis e de propulsores capazes de satisfazer as necessidades dos seus clientes. Essa paixão mantém-se, sendo que as soluções desenvolvidas incluem melhorias na eficiência dos propulsores convencionais, a electrificação da gama, uma adopção mais abrangente de combustíveis renováveis, bem como de ferramentas digitais e contectadas, que melhoram a eficiência dos consumos de combustível.

Juntamente com a eFuel Alliance e os seus membros, a Mazda apoia a implementação de um mecanismo que tenha em conta a contribuição dos combustíveis renováveis e com baixo teor de carbono[1], na redução das emissões dos automóveis de passageiros, e que também contribua para o processo de tomada de decisões, precisamente no momento em que a UE está a rever a legislação climática.

Comentando o facto de a Mazda ser o primeiro construtor automóvel a aderir à Aliança, Wojciech Halarewicz, Vice-Presidente de Comunicação e Relações Públicas da Mazda Motor Europe GmbH, afirmou: “Como indústria, temos de reduzir as emissões tanto quanto possível. Para o efeito, não devemos ignorar nenhuma das vias disponíveis ao nosso alcance. As emissões de gases com efeito de estufa e as alterações climáticas são, por natureza, uma questão global e complexa, requerendo uma abordagem integrada. Todos os sectores e indústrias devem desempenhar o seu papel e, acima de tudo, devem ter a oportunidade de partilhar quaisquer opções positivas, de forma a alcançar os objectivos climáticos”.

“Acreditamos que, com o investimento necessário, os e-fuels e o hidrogénio, ambos neutros em CO2, irão dar um contributo credível e real para a redução das emissões, não só nos automóveis novos, como também no parque automóvel já existente. Isto abriria uma segunda e mais rápida via para alcançar a neutralidade climática no sector dos transportes, em conjunto com o progresso da electrificação. Dado que, no final deste ano, a UE irá rever a sua regulamentação sobre normas de CO2 para carros de turismo e veículos comerciais, esta é a oportunidade para garantir que a nova legislação permita que, tanto os veículos eléctricos como os veículos que funcionam com combustíveis neutros em CO2, possam contribuir para os esforços dos fabricantes de automóveis em termos de redução de emissões”.

Ole von Beust, Director Geral da eFuel Alliance, acrescentou: “O principal objectivo da eFuel Alliance consiste em apoiar e impulsionar a compreensão das políticas de protecção do ambiente, que assegurem uma concorrência leal entre diferentes tecnologias. Os próximos dois anos serão decisivos, uma vez que a Comissão Europeia irá rever as principais regulamentações no domínio da política climática. Estas deverão incluir um mecanismo na legislação automóvel que reconheça a contribuição que os combustíveis com baixo teor de carbono podem dar no alcance dos objectivos de redução de emissões. Será, por isso, crucial juntar grupos e organizações interessadas em todos os sectores envolvidos. É por isso que antecipamos que a Mazda, fruto da sua longa história no campo da inovação automóvel, será um forte parceiro da eFuel Alliance”.

A Mazda é o primeiro construtor a integrar a eFuel Alliance
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De piloto de testes ao desenvolvimento do novo Mazda MX-30

Tomiko Takeuchi: De piloto de testes a responsável pelo programa de desenvolvimento do novo Mazda MX-30

Quando, em 2015, Tomiko Takeuchi se viu nomeada como a primeira mulher Gestora de Programa da Mazda, não conseguia acreditar que, ao fim de tantos anos, tinha alcançado a função dos seus sonhos. O orgulho foi avassalador, mas houve, também, momentos de algum receio, já que a responsabilidade inerente ao cargo era enorme: passaria a ser responsável pelo controlo de todo o espectro de desenvolvimento de raiz de um novo modelo, incluindo o seu planeamento, design, marketing, distribuição, vendas e serviço de após-venda, ao mesmo tempo que teria que criar um plano de negócio que fosse lucrativo.

“O meu responsável à altura falou-me da promoção durante uma viagem de trabalho a Kagoshima, na zona sul de Kyushu. Ainda me lembro de como me foi impossível adormecer a bordo do ‘comboio-bala’ Shinkansen na viagem de regresso à sede da Mazda, em Hiroshima. O meu coração batia intensamente: a importância do cargo era deveras entusiasmante, bem também um pouco intimidante”, recorda Tomiko Takeuchi.

A pressão era enorme, uma vez que, em breve, ser-lhe-ia dada a responsabilidade de construir um veículo histórico para a Mazda. Mas o seu superior estava convicto de que ela era a pessoa indicada para o cargo e de que recebera a promoção porque “não iria ceder à pressão, independentemente das circunstâncias”, recorda.

Tenacidade e determinação são duas características a que Takeuchi recorreu nos anos que se seguiram. Começava, assim, a sua viagem enquanto Gestora de Programa do novo MX-30[1], o primeiro veículo de produção, totalmente eléctrico, da Mazda. Mas talvez não tenha sido uma surpresa total para Takeuchi, pois o desenvolvimento de estreias na Mazda não era, de todo, uma novidade para si.

A única mulher na Mazda com estatuto de topo como piloto de testes

Tendo ingressado na Mazda em 1997, logo após ter terminado os estudos universitários em Kyushu, Tomiko Takeuchi rapidamente causou impacto ao tornar-se na primeira piloto de testes do sexo feminino da marca, logo ao fim de apenas dois anos.

Recuando no tempo, parece que a sua carreira estava escrita nas estrelas. Ao recordar-se da sua infância, refere: “Os meus pais não ligavam muito a automóveis, mas desde os meus tempos de criança que eu sempre senti uma ligação com aviões e veículos. Eu era, claramente, o ‘elemento estranho’ na família! Para alguém como eu, nascida em Hiroshima, que descobriu a paixão pela condução nos tempos de universidade com o meu primeiro automóvel, conseguir um emprego na Mazda foi um sentimento natural,” continua. “Depois, em 1999, assumi funções de piloto de testes e, em resultado disso, continuei a avaliar os mais diversos modelos de produção e protótipos ao longo de uma década.”

Proprietária de um Mazda Carol e de um MX-5 da primeira geração “NA”, Takeuchi demonstrava uma combinação de empenho e habilidade naturais que lhe permitiram destacar-se no exercício das suas funções, sendo que em 2004 a Mazda concedeu-lhe uma das mais representativas e exclusivas licenças de condução, elevando-a a piloto de testes da marca. Contando com um sistema próprio de atribuição de licenças, os testdrivers, fruto das suas capacidades e habilidades, são agrupados em diferentes categorias – de iniciantes até à classe de topo, reservada aos condutores mais experientes – a Mazda viria a atribuir-lhe uma das três mais qualificadas licenças especiais (“Classe A”), tornando-a na única mulher a atingir este estatuto. “Até ao presente, eu sou ainda a única piloto de testes feminina com essa licença especial,” refere, destacando o Mazda MX-5 e o Mazda2 como dois dos modelos para os quais deu um contributo muito significativo no seu processo de desenvolvimento.

Apesar do seu talento ao volante lhe ter valido uma rápida progressão no seio da Mazda, Takeuchi admite, abertamente, que sentia fraquezas numa área específica, sorrindo ao admiti-lo: “Durante a minha fase de piloto de testes, sentei-me ao volante de muitos automóveis e conduzi-os em muitos países. Mas, independentemente do sítio onde estivesse, conseguia sempre perder-me! Fosse na Alemanha ou noutro sítio qualquer, nunca conseguia encontrar o caminho de regresso à base. Acho que me falta o sentido de orientação. Cheguei a perder-me, inclusivamente, dentro de um hotel onde fiquei hospedada!” Mas a falta de sentido de orientação na estrada não tinha correspondência dentro da Mazda, uma vez que os seus 10 anos enquanto piloto de testes provaram ser de inestimável valor para a sua ascensão hierárquica.

Explicando o impacto que teve, acrescenta: “Esta experiência, em particular, permitiu-me estabelecer um vocabulário essencial para avaliar os automóveis até ao seu mais pequeno detalhe. Elaborei um relatório detalhado e aprofundado, nos meus próprios termos, para ajudar os engenheiros a afinar e desenvolver os veículos de teste com que trabalhei até se chegar às suas versões de produção finais.” Esta capacidade em particular acabaria por se revelar de grande valor enquanto responsável pelo desenvolvimento do novo Mazda MX-30. Com mais de 1.000 funcionários envolvidos no projecto, espalhados por todo o mundo, foi essencial que Takeuchi comunicasse as suas ideias de uma forma clara, de modo a manter a equipa focada e, assim, garantir um lançamento bem-sucedido deste novo modelo.

Em resumo, o tempo e experiência que Takeuchi acumulou enquanto piloto de testes era o garante de que ela seria a pessoa ideal para gerir o desenvolvimento daquele que é o primeiro automóvel 100 por cento eléctrico da Mazda.

A produção de um novo automóvel é resultado de um esforço colectivo e não individual

Apesar de tudo o acima, o projecto do MX-30 esteve longe de ser uma viagem tranquila. “Foi um projecto particularmente difícilSendo o primeiro veículo totalmente eléctrico de produção da Mazda, não existiam modelos que o antecedessem que pudéssemos usar como referência. Foi, literalmente, partir de uma folha em branco, começar a partir do nada,” explica Takeuchi. “Foram tantas as alterações a nível de design e de especificações ao longo do projecto que nos vimos obrigados a regressar, várias vezes, à fase de desenho. Por essa razão, estou muito grata a toda a equipa. Para mim, era óbvio que, por muito avançada que seja, actualmente, a produção de um novo automóvel, o resultado do esforço colectivo e da dedicação de todos os envolvidos é que permite avançar com projectos como o MX-30.

Mesmo com todo esse trabalho árduo, é preciso um líder especial capaz de inspirar a equipa à sua volta, uma abordagem que se reflecte no estilo de gestão de Takeuchi, que explica: “Eu prefiro deixar a equipa falar durante as reuniões. É uma escolha consciente, ter o tempo de ouvir o que têm para dizer e tentar encontrar o melhor caminho a seguir por todos. Afinal de contas, eu não sou especialista em todos os aspectos do desenvolvimento. Do meu ponto de vista, é contraproducente que uma pessoa assuma, isoladamente, o caminho a seguir.”

Tendo o MX-30 chegado aos concessionários em 2020, Tomiko Takeuchi até pode ter atingido um marco muito significativo, mas o seu trabalho está longe de estar terminado. “Os automóveis já não são apenas para serem conduzidos de um ponto A a um ponto B. É importante transmitir esse prazer de condução às pessoas, permitindo-lhes desfrutar do tempo que passam no seu automóvel.” Esse é, exactamente, o sentimento que se espera de uma pessoa que adora estar ao volante. No fundo, é aquilo que define Tomiko Takeuchi.

De piloto de testes ao desenvolvimento do novo Mazda MX-30
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Mestres Takumi: Os artesãos modeladores de argila da Mazda

Mestres Takumi: Os artesãos modeladores de argila da Mazda

No centro de pesquisa e design da Mazda de Oberursel, Alemanha, e de Hiroshima, no Japão, designers, engenheiros e modeladores de argila “Takumi”, dão vida aos projetos dos novos modelos Mazda. Os mestres Takumi, designação que simboliza destreza e precisão, representam uma longa tradição de mestres artesãos japoneses. Na Mazda, os Takumi trabalham principalmente com a argila e com o metal, outros com madeira e papel, ou até mesmo palha, utilizada na concepção de tapetes de tatami. O que todos eles têm em comum é um profundo empenho no seu ofício.

Neste momento são três os Takumi a operar na sede da Mazda, em Hiroshima. Recorrendo às suas capacidades de imaginação e liberdade de pensamento, executam esculturas de veículos em argila, tanto em formatos mais condensados, a diversas escalas, como em tamanho real. No entanto, são poucos os modeladores de argila a poder ostentar esse estatuto.

Há diferenças significativas em termos de competências e de rapidez de execução: um bom modelador de argila necessita, sensivelmente, de 4 semanas para criar uma escultura de argila em escala reduzida, 8 semanas para conceber um modelo à escala de 1:4 e 6 meses para um modelo à escala real, de 1:1; já um mestre Takumi é significativamente mais rápido nesse trabalho artesanal, reduzindo esses tempos de criação para 1 semana, 2 semanas e 2 meses, respectivamente.

Entre a concepção e a conclusão, uma equipa completa demora cerca de um ano para desenvolver uma representação à escala de 1:1, sendo que durante o desenvolvimento de um novo modelo Mazda são criadas, em simultâneo, diferentes esculturas em argila. Apenas uma acabará por servir de inspiração para o modelo de produção.

Em termos de curiosidades, acrescente-se que um modelo em argila á escala real pesa cerca de 1,5 toneladas (incluindo a sua estrutura em aço), sendo, portanto, mais pesado do que a mais recente geração do roadster Mazda MX-5 (996 kg) e pouco mais leve do que uma carrinha Mazda6 (1.635 kg). Designer criativo por direito próprio, um mestre Takumi consegue visualizar e produzir uma determinada forma sem precisar de colaborar de perto com os verdadeiros designers.

Recolha de experiência

Os modeladores de argila precisam de aperfeiçoar as suas competências em diferentes cargos durante cerca de 20 anos, antes de poderem assumir o estatuto de “Takumi”. Não existe um estágio estabelecido para este ofício, sendo que todos começam como modeladores de base, prosseguindo a sua carreira até ao topo, só depois e sob determinadas condições, poderão obter esse estatuto, o cargo mais elevado dentro Mazda para a realização destas funções.

Os modeladores começam por aquecer a argila – material composto por uma mistura especial de cera, óleo, pigmentos e betume – a 60 °C. Uma vez amaciada, a argila é, depois, aplicada na estrutura de suporte, antes de se começar a moldagem com as formas de um automóvel. Trabalhando com as mãos directamente na argila, os modeladores conferem energia e profundidade a todas as nuances da sua superfície, criando um modelo em argila que ilustra a forma natural e fluida de um veículo Mazda, de modo a que pareça estar em movimento, mesmo quando parado. Para a Mazda, o automóvel é muito mais do que um mero pedaço de metal, é como se tratasse de um ser vivo.

“Ao confeccionar um prato típico japonês, como o tradicional caldo de peixe ‘dashi’, o método de preparação tem uma grande influência no sabor”, explica Ikuo Maeda, responsável pelo design global da Mazda. ”Um ‘dashi’ perfeito é uma boa analogia com o que fazemos insistentemente para criar beleza na sua máxima expressão, aplicando a nossa receita para determinar o papel de cada modelo Mazda no âmbito da nossa gama de modelos”.

Criar um laço emocional

A designação Kodo refere-se à linguagem de design da Mazda, significando, em japonês, “A Alma do Movimento”. Esta linguagem de design caracteriza-se por projectos que conferem sempre uma sensação de movimento. Baseando-se em esboços, um Takumi recorre à argila para traduzir, através de uma escultura tridimensional, a emoção que um veículo real pretende evocar. A forma só se torna num modelo 3D digital quando a peça em argila está perfeitamente equilibrada.

O foco e a simplicidade dos princípios do design japonês fornecem a base para o ADN do conceito Kodo. A Mazda é intransigente quando se trata de alcançar a excelência em design automóvel. A crença de que a verdadeira beleza artística só pode ser alcançada pela consistência e precisão das mãos humanas está profundamente enraizada na cultura artesanal japonesa. É por isso que a Mazda continua a valorizar fortemente os processos manuais e o conceito artesanal Takumi, utilizando, por isso, mais modelagem em argila do que qualquer outro construtor automóvel.


Nos bastidores da Mazda: Entrevista com Andreas Feussner

Director do Departamento de Modelagem da Mazda Motor Europe desde 2016, Andreas Feussner partilha a sua admiração pela mestria do processo de modelagem e pelos desafios do design, bem como a sua preferência pelo trabalho da madeira.

O que significa para si o rigor artesanal?

Quando constato de que algo foi criado com paixão. Trata-se de terminar um projecto e ficar satisfeito com os resultados. Pessoalmente, olho atentamente para cada projecto concluído e analiso o processo em termos de potencial de optimização. Normalmente não há necessidade de melhorar coisas fundamentais, mas graças aos meus 28 anos de experiência, sei que a soma dos pequenos detalhes a algo maior confere um toque especial ao trabalho.

Isso faz de si um perfeccionista?

Quando se trata do meu ofício, sim, sem dúvida! Um dos meus colegas chama-me “Sr. 1000%”, provavelmente porque abordo sempre os projectos com intensidade e precisão, trabalhando até ao último dia, mesmo quando o produto já pode ser dado como terminado. Para dar um exemplo, uma vez construímos uma consola em madeira. O objectivo era a madeira ser lixada e não pintada ou oleada. Lixei a consola até obter uma superfície muito delicada, com um toque quase sedoso. Durante a apresentação do veículo internamente, Ikuo Maeda, o nosso Diretor Global de Design, no Japão, sentou-se no carro e continuou a acariciar a superfície enquanto os designers europeus partilhavam as suas ideias sobre o estilo. Observando a situação, fiquei satisfeito com o facto de ele ter apreciado o trabalho. Ikuo Maeda valoriza bastante um bom rigor artesanal.

Quais são os principais desafios diários de um modelador?

Por vezes é difícil dar vida aos conceitos dos designers. Um exemplo: construímos uma escultura de madeira e o desafio era dobrar a madeira até um determinado ponto, algo impossível porque a madeira era demasiado espessa e o raio demasiado pequeno. Em momentos como este, precisamos de encontrar soluções e executá-las de forma a não haver inconsistências perceptíveis. Neste caso, colei 66 camadas de folheado num molde feito à mão. Nem se percebia como tinha sido feito o produto acabado: parecia uma peça de madeira sólida que tinha sido dobrada.

Como é que, em geral, lida com os desafios?

Penso que os desafios, seja no trabalho ou na vida pessoal, oferecem um grande potencial de desenvolvimento. É por isso que, independentemente do seu grau de dificuldade, enfrento sempre os desafios em vez de lhes virar as costas. Caso contrário, somos apanhados de surpresa.

Tem um princípio orientador no trabalho e na vida?

Tento sempre transmitir abertura, persistência e, acima de tudo, empatia. Acredito que esta última é vital, especialmente na vida.

Onde obtém a sua inspiração?

Encontro inspiração na natureza e no seu imenso poder, nas suas formas e cores, no seu carácter primordial, na sua realidade. Uma união de consistência e transformação. Adoro estar ao ar livre, por exemplo, nas montanhas e na neve, sem ninguém por perto. Mas as pessoas também me inspiram com a sua dedicação, as suas realizações, o seu trabalho e a personalidade que lhe conferem. A minha mulher é um bom exemplo: determinada, persistente, directa e, simultaneamente, complexa, sem deixar de ser transparente; por outro lado, é também especialmente dedicada e empática, sempre receptiva ao que é relevante. Outras fontes de inspiração são a arquitectura e a arte, mas, acima de tudo, a música em todas as suas vertentes, bem como o ballet clássico e moderno. A precisão dos movimentos no ballet ajuda-me a desenvolver novas ideias. Num projecto que desenvolvemos há algum tempo contámos com a presença de uma bailarina para observar várias posições de bailado, estando ela envolta em tecido elástico. As formas interessantes deram-nos novas perspectivas que nos ajudaram a desenvolver a nossa filosofia de design Kodo. Recorremos frequentemente a métodos invulgares para redefinir a linguagem do design. Para mim, é importante desfrutar da vida de forma consciente e com uma visão positiva.

Como aborda um novo projecto?

No começo, é importante entender o conceito. O que caracteriza os esboços? Qual é a assinatura do designer? O que está a tentar exprimir? Sem este entendimento, a nossa capacidade de refletir a emoção desejada no modelo é limitada. Para conferir mais liberdade na concepção de uma nova linguagem de formas, começamos com esculturas puras, sem qualquer ligação ao design clássico de veículos. Esta fase do trabalho é muito criativa e livre, sem restrições. O desafio é transferir as ideias pretendidas para o veículo. É uma das fases mais importantes no processo de design.

Cada modelador de argila tem a sua própria assinatura?

Sim, claro. É possível identificar qual o colega que executou um determinado modelo. Dois modeladores de argila diferentes irão criar dois modelos diferentes, para um mesmo conceito de design. Ambos exprimem a mesma mensagem, o mesmo conceito, mas segundo as suas próprias interpretações. Dado que o nosso trabalho implica passar de duas para três dimensões, temos muita margem de manobra no início. A assinatura do modelador de argila é mais fácil de identificar no momento inicial do processo criativo; os modeladores incutem uma parte da sua própria personalidade no modelo e é essa assinatura que diferencia estes veículos dos que não são projetados manualmente.

É carpinteiro por formação. Prefere trabalhar com madeira?

Sim, provavelmente porque é o material em que tenho mais experiência. Comecei a trabalhar em madeira aos 16 anos. O que mais gosto na madeira é a sua robustez estrutural. Um objecto em madeira pode ser utilizado e apreciado ao longo de várias gerações. É uma sensação agradável. Há alguns anos construí uma grande mesa em carvalho maciço. Gosto de pensar que, se durar mais do que eu, pode vir a fazer parte da vida da minha filha, com todas as suas marcas, histórias e caráter. Respeito as coisas que perdem o conceito de idade e, se algum dia a sua vida útil como mesa chegar ao fim, pode ser facilmente reciclada, já que é feita inteiramente de madeira pura, sem toxinas. A madeira maciça incorpora uma forma simples de sustentabilidade. Pode parecer cara inicialmente, mas também tem um valor especial.

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Como é que se cria um ambiente acolhedor num automóvel?

Maria Greger: Reflexões de uma veterana do design

Desde que se juntou à Mazda em 1995, Maria Greger tem assistido a muitas mudanças no sector automóvel, nomeadamente na sua vertente: o design de interiores. Antes de se reformar, em 2021, a ainda Directora de Cores e Materiais no Centro de Design da Mazda Europa analisa mais de um quarto de século em que passou a desenhar interiores de automóveis, partilhando os seus pensamentos sobre as tendências de cor, a mobilidade futura e o respeito da Mazda pelo conceito “Human Touch”.

Como é que se cria um ambiente acolhedor a partir de um habitáculo de um automóvel?

Com qualidade e perícia. Sendo uma empresa japonesa, a Mazda respeita a ênfase tradicionalmente colocada pelo Japão no trabalho artesanal. Baseia-se numa meticulosa atenção ao detalhe. Actualmente temos de nos habituar ao facto das áreas de superfície estarem a desaparecer dos habitáculos. Onde antigamente estava um painel de instrumentos e uma consola central com interruptores e manípulos, estão agora grandes ecrãs integrados no ambiente. Não existem cantos, arestas e ornamentos. O objectivo é, claramente, melhorar a sua capacidade de utilização, mas isso torna mais difícil o nosso trabalho de designers de cores e de materiais. Enquanto designer, fico contente se conseguirmos manter os manípulos e interruptores, bem como transmitir uma sensação de apelo, seja óptico ou háptico. Estas são, para mim, pequenas preciosidades e nós criamo-las com um cuidado especial. Talvez o condutor não se aperceba de imediato, mas estes detalhes contribuem para uma sensação de qualidade no habitáculo e para uma atmosfera agradável.

Qual é a visão da Mazda?

A Mazda assumiu, desde 2010, a filosofia de design Kodo, palavra que, em japonês, significa “Alma do Movimento”, representando o poder e a beleza do movimento.

Como é aplicado na prática?

A Mazda sabe que as máquinas e a tecnologia não substituem a perícia e o toque artístico da mão humana e isto aplica-se a todas as fases do processo de desenvolvimento de um veículo, em especial na fase de modelação, com os modelos trabalhados em argila. Os artesãos Takumi – os que se encontram no topo da hierarquia do seu ofício – conseguem polir o metal até ficar tão fino quanto uma lâmina de barbear e os engenheiros colocam as pessoas no foco de todas as suas considerações. Depois existe o Kodo que, no Mazda3, por exemplo, faz despertar emoções de movimento através de um jogo de luzes e sombras que se espelham nas superfícies da sua carroçaria.

Como evoluiu o design dos interiores durante o tempo em que está na Mazda?

Os materiais e o artesanato tornaram-se ainda mais importantes do que já o eram e os esforços que os designers de Cores e Materiais fazem ao selecionar os materiais para o habitáculo aumentaram em conformidade. As características e os detalhes, bem como a qualidade global do habitáculo, evoluíram muito ao longo dos anos. Basta olharmos para a pele, a madeira e os acabamentos metálicos que estão agora disponíveis.

Fale-nos mais sobre o processo de design na Mazda Research Europe.

Na Mazda Research Europe, em Frankfurt (Alemanha), focamos no mercado europeu, investigando e seleccionando as tendências que mais importam para a Mazda. De seguida, usamo-las como base para os nossos designs. Tomemos como exemplo um modelo futuro, imaginando como poderá ser um automóvel que ainda não existe, propondo materiais, cores e interiores completos, enquanto os nossos colegas no Japão e nos EUA estão a fazer o mesmo. Os resultados são depois apresentados à sede, aos responsáveis pelo produto final. A propósito, eles têm estado a fazer um excelente trabalho, mas gostaria, também, de acrescentar que alguns dos conceitos desenvolvidos em Frankfurt, como os aplicados no Mazda CX-30, foram aceites tal como os propusemos.

Quando soube que queria ser designer de interiores?

Considerei tornar-me designer de interiores quando estava no meu 10º ano dos estudos, mas decidi, no entanto, quando terminei a escola, estudar design de têxteis. Utilizei a minha rede contactos: um colega de estudos trabalhava para uma companhia em Trier, na Alemanha, que produzia tecidos para a indústria automóvel. Candidatei-me e fui contratada. Ao início, não tinha noção de quão ligado estaria o meu trabalho ao design de produtos têxteis, mas quando mudei para a Mazda, foi – para ser honesta – muito entusiasmante para mim, uma vez que estaríamos a desenhar interiores para um espaço relativamente reduzido, com vários tipos de superfícies e cores. Os têxteis dos habitáculos são dos tecidos mais tenazmente testados no mundo, mas igualmente dos mais baratos, se os compararmos com os utilizados pela indústria do mobiliário. Isto transforma o meu trabalho num desafio constante, o de produzir designs verdadeiramente excelentes.

Como supera esses desafios?

Eu e os meus dois colegas da equipa de Cores e Materiais em Frankfurt mantemo-nos permanentemente informados. Vamos a eventos relacionados com o mundo da moda, do design e da indústria do mobiliário, a fim de sondar o mercado e identificar as tendências.

Como as tendências previstas por Li Edelkoort[1]?

Já a viu ao vivo? Ela é muito carismática, tem uma grande intuição e consegue apelar à sua audiência. Ela é brilhante no que diz respeito a captar e revelar tendências.

Vamos falar de cores. Parece que estamos presos às mesmas de sempre. O que se espera que o futuro possa trazer?

Acho que o branco é um bom exemplo! O branco esteve em voga nos últimos anos e ainda por cá anda. O facto é que o valor de revenda continua a ser um argumento importante para as pessoas na hora de escolherem uma determinada cor, por isso, muitos compradores acabam por ir na direcção do cinzento, do preto ou do branco. A Mazda definiu o seu próprio caminho com o vermelho, criando tons icónicos para os seus designs Kodo. Estou orgulhosa de poder dizer que fomos criadores de uma tendência neste particular, fazendo renascer o vermelho, não só aplicado em veículos de cariz desportivo. No que diz respeito ao futuro, há um movimento global na direcção de tons mais quentes, por isso acho que vamos começar a vê-los cada vez mais. Penso, igualmente, que vamos ter mais automóveis verdes, uma vez que esta é uma cor que está também a regressar ao mundo da moda, mas nunca se sabe. Em qualquer um dos cenários, vamos continuar a ter muitos tons de cinzento.

Quais são os principais desafios para a sua equipa?

Precisamos de acompanhar as novas tecnologias e as novas formas de mobilidade. Os automóveis estão a ficar mais limpos a nível visual, integrando cada vez mais ecrãs. Assim, a questão para nós, designers, é: Consigo criar uma atmosfera agradável apesar disso tudo? E tem de ser mais do que simplesmente agradável, tem de ser intuitiva. Para além disso, estamos ainda a tentar utilizar materiais e formas para aumentar o nível de concentração do condutor. Por isso, é de facto bastante emocionante trabalhar no desenho e desenvolvimento de interiores.

Qual é o problema fundamental associado à mobilidade?

É um assunto complexo. Ainda há um pensamento a muito curto prazo na indústria automóvel. Os veículos eléctricos estão a chegar ao mercado e acho que a tecnologia do hidrogénio não estará assim tão longe. Mas penso que devemos colocar a mobilidade no centro da questão e depois, na fase seguinte, determinar que tipo de veículo devem ser produzidos para ir ao encontro das necessidades de mobilidade, evitando abordar esta questão no sentido inverso. Temos de pensar, também, noutro tipo de questões, como por exemplo, quantos jovens vão querer conduzir no futuro. O planeamento urbano e da mobilidade devem ser desenvolvidos em conjunto, cooperativamente, lado a lado. De qualquer forma, é um tópico fascinante que vai, certamente, acompanhar-nos durante algum tempo.

Existe algum automóvel que sonhe desenhar?

Nem por isso. Estou muito satisfeita com o CX-30, um pequeno SUV que nasceu perfeito; é, provavelmente, o melhor veículo em que alguma vez trabalhei, especialmente tendo a carroçaria pintada em Soul Red Crystal. Não é demasiado grande, tem bancos muito confortáveis e muito bons materiais e acabamentos. As suas dimensões agradam-me bastante, uma vez que ando quase sempre sozinha. O MX-5 é outro automóvel que me entusiasma. Apesar de ser, na verdade, um quase segundo veículo, é para mim um pequeno carro de sonho, muito divertido de conduzir.

Qual o aspecto da sua longa carreira que mais se destaca?

Fazer parte de uma equipa internacional com tantas culturas diferentes. Temos pessoas de toda a Europa e de fora dela, sendo, por isso, fascinante trabalhar com japoneses e outras nacionalidades asiáticas, bem como com americanos ou pessoas de outros países, aprendendo as suas culturas. Isto tem sido uma grande experiência para mim.

Num potencial regresso ao passado, que conselho daria a si mesma, enquanto jovem?

Desfrutar de tudo o que se faça e motivar e inspirar os outros a fazer o mesmo. Olhando para trás na minha carreira, tenho de admitir que estou muito satisfeita com o meu papel. As cores e os materiais são o meu mundo!

Como é que se cria um ambiente acolhedor num automóvel?
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Reparadores Autorizados Mazda ao serviço da população

À semelhança do que sucedeu no final do primeiro trimestre de 2020 e no âmbito do Estado de Emergência que vigora em Portugal desde o passado dia 20 de Janeiro, a Rede de Reparadores Autorizados da Mazda Motor de Portugal mantém-se operacional em todo o território nacional, continental e regiões autónomas, salvaguardando-se todas as medidas e diretrizes de saúde entretanto implementadas, ao nível da Recepção, reparação e desinfeção para entrega das viaturas que necessitarem de intervenção.

Obrigada ao encerramento dos seus espaços comerciais, em particular os stands de vendas de automóveis novos e usados, apenas as oficinas Mazda estão autorizadas a manter as suas operações em funcionamento, assegurando-se, assim, a continuidade da possível autonomia das populações, na eventual necessidade da sua deslocação a supermercados e lojas de abastecimento de produtos de primeira necessidade, farmácias e/ou serviços médicos, bem como no apoio familiar ou, nos casos em que as funções profissionais impliquem a utilização de uma viatura.

Para assegurar essa mobilidade individual dos seus clientes, a Rede de Reparadores Autorizados Mazda garante a assistência às viaturas e a confirmação do seu correto estado de funcionamento, sendo que a disponibilidade de determinados serviços poderá estar um pouco mais limitada, mas em caso algum de modo a condicionar essas eventuais deslocações.

Relativamente à rede de vendas Mazda, uma vez que as instalações físicas se encontram encerradas, todo o processo de compra de um automóvel Mazda novo ou semi-novo faz-se, neste momento e em exclusivo, através do portal www.mazda.pt, plataforma onde o cliente poderá aceder às informações dos diferentes modelos do catálogo Mazda e aos respectivos Configuradores, solicitar os seus catálogos ou fazer o pré-agendamento de test-drives.

Aos nossos clientes Mazda, a Hydraplan assegurou as seguintes alternativas de contacto;

“Os nossos Salões de Vendas estão fechados, mas continuamos disponíveis para si no digital!” (OFICINAS PERMANECEM EM FUNCIONAMENTO)
CONTACTOS COMERCIAIS
Volkswagen Comerciais – 961 793 365 / rogerio.paulo@oneshop.pt
Mazda Oriente 966 845 298 / luis.nunes@oneshop.pt – 967 968 310 / rui.veloso@oneshop.pt
Mazda Sobralinho – 917 960 735 / eduardo.curado@oneshop.pt
Reparadores Autorizados Mazda ao serviço da população
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Mobilidade Pessoal – “Suitcase Car”

“Suitcase Car”:

Uma interpretação de mobilidade pessoal

  • No início dos anos 90 do século passado a Mazda captou as atenções do planeta com um projecto denominado “Suitcase Car”
  • Criada no âmbito da acção interna “Fantasyard”, esta mala motorizada sublinhava a filosofia de desafio às convenções inerente à marca

Estávamos no início da década de ‘90, altura em que o otimismo estava no ar com o fim da Guerra Fria, apostando-se na tecnologia em prol de uma maior produtividade, permitindo uma aproximação do planeta. Tudo parecia possível. Viviam-se, também, momentos emocionantes na Mazda, marca que assoberbada com a elevada procura que o seu então novo roadster MX-5 registava, se tornaria, em 1991, no primeiro construtor japonês a alcançar a vitória nas 24 Horas de Le Mans e o única a fazê-lo, até ao presente, com um modelo equipado com um motor rotativo. Conhecida pelo constante desafio das convenções, nesse mesmo ano a Mazda apresentava, também, o estudo Mazda HR-X, conceito equipado com um motor a hidrogénio.

A atmosfera predominante de confiança vivida na sede em Hiroshima levou à implementação de iniciativas como a “Fantasyard”, uma competição interna que se realizou entre os anos de 1989 e 1991, na qual equipas de diferentes departamentos se gladiavam, apresentando ideias criativas de mobilidade. Inimaginável na actual realidade do mercado automóvel global, fruto das restrições orçamentais cada vez mais apertadas, esta “Fantasyard” reunia, há três décadas, reacções muito positivas, sublinhando a abordagem “fora da caixa” por que a Mazda é, ainda hoje, conhecida. Uma das edições deste encontro de ideias viria a premiar um conceito particularmente criativo.

Solução de mobilidade criativa

Falamos do “Suitcase Car”, que se pode traduzir livremente como “Mala Motorizada”, um conceito de três rodas supostamente inspirado por uma visão de locomoção pelos aeroportos de uma forma mais eficiente. Aos seus criadores, um grupo de 7 engenheiros da unidade de testes e pesquisa de transmissões manuais da Mazda, foi dado um pequeno budget para que pudessem dar vida a esta sua visão, que lhes permitiu, depois, lançar mãos à obra, adquirindo uma motorizada em miniatura (vulgo Pocket Bike) e a maior mala de estrutura dura que puderam encontrar no mercado.

O resultado foi simples, mas engenhoso, aproveitando-se algumas peças dessa mini-motorizada, nomeadamente o seu motor a 2 tempos de 34 cm3, que se viu embutido numa mala Samsonite de 57 por 75 centímetros. O veículo demora apenas um minuto a montar: basta girar o conjunto da roda dianteira com o guiador e travões para uma posição vertical, fazendo-o sair através de uma tampa amovível da mala, encaixar no exterior as rodas traseiras, colocar o banco em cima do eixo traseiro e já está. O motorzinho de 1,7 cv poderia levar esta engenhoca a atingir velocidades máximas de 30 km/h!

Este “Suitcase Car” ajudou a projetar o ADN da Mazda de diferentes modos. Não só era um conceito divertido de conduzir, fruto do seu muito baixo centro de gravidade, semelhante ao de um kart e do próprio Mazda MX-5, como também canalizou o espírito inventivo daquele que foi o primeiro veículo de produção da empresa, o Mazda-Go, popular veículo de 3 rodas, originalmente lançado em 1931.

Imagem de marca sobre rodas

Fruto de um peso de 32 kg, esta mala motorizada não era exactamente prática, pelo menos na perspectiva de bagagem, mas embora a sua produção em massa nunca tivesse sido considerada, este pequeno 3 rodas portátil viria a merecer uma ampla cobertura mediática, servindo os propósitos da Mazda como publicidade sobre rodas.

O eco e interesse, entretanto, gerados, levariam a que a Mazda construísse mais dois exemplares, destinados a demonstrações nos EUA e na Europa, tendo a unidade europeia tido honras de exposição no Salão Internacional de Frankfurt de 1991, lado a lado com o Mazda 787B vencedor de Le Mans.

Hoje apenas o exemplar usado nos EUA ainda existirá, tendo o original “Suitcase Car” sido “destruído acidentalmente”, enquanto a réplica europeia desapareceu em “circunstâncias desconhecidas”.

Mobilidade Pessoal – “Suitcase Car”
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A Mazda e as Causas Humanitárias

Mazda Heroes:

Enaltecer o espírito humanitário

  • Em ano de Centenário da Mazda Motor Corporation, a sua divisão norte-americana implementou um programa que visa premiar 50 indivíduos altruístas que se têm dedicado a causas humanitárias no seu país.
  • Após nomeações secretas por parte de familiares ou amigos, as suas acções poderão valer-lhes um Mazda MX-5 “100th Anniversary”.

A Mazda completa este ano 100 anos de vida, um centenário ao serviço dos seus fãs e dos seus clientes, num longo processo em que se ultrapassaram inúmeros desafios e se fortaleceram as relações e a proximidade com as comunidades onde a marca e os seus representantes actuam.

Em ano de pandemia, muitas foram as acções de ajuda implementadas em diversos mercados – Portugal incluído – implementadas em diferentes moldes, nomeadamente via cedência de veículos às diversas entidades envolvidas no processo, a nível local e/ou de prestação de cuidados de saúde, para os ajudar na prestação de serviços de apoio – transporte de pessoas, géneros alimentícios, medicamentos, etc – em particular às populações mais desfavorecidas ou isoladas, entre outras iniciativas.

Já nos EUA, país que está a ser particularmente afectado pela COVID-19, a Mazda USA optou por um caminho complementar, implementando o programa “Mazda Heroes”, através do qual está a oferecer nada menos do que 50 unidades do popular roadster MX-5 (localmente também referido como ‘Miata’) na Edição Especial “100th Anniversary” a outros tantos indivíduos que pelo seu altruísmo, entrega e dedicação às mais diversas causas e que, sem que o soubessem, estão a ver-se surpreendidos.

Ao longo dos últimos 9 meses, muitos são os que têm dividido o seu tempo entre o trabalho e a casa, com o auxílio a terceiros, seja através de acções humanitárias direccionadas a indivíduos (ex.: ajuda a vizinhos de mais idade ou enfermos e acamados) ou de âmbito mais comunitário (ex.: acções de voluntariado a diversos níveis, como a distribuição de géneros, medicamentos, e outros produtos, ajuda no ensino, transporte, etc.). O seu objectivo comum é o de cuidar dos demais e ajudar a minimizar problemas de diferentes dimensões nas suas comunidades, nas zonas onde habitam ou onde trabalham. Desde famílias que aprenderam a costurar máscaras para vizinhos mais vulneráveis, até professores que organizam acções com base em distanciamento social, de modo a elevar o ânimo dos seus alunos, o melhor da natureza humana tem vindo à tona através de sinceros actos de generosidade e de entrega ao próximo.

Através do programa “Mazda Heroes”, a Mazda North American Operations (MNAO) está a seleccionar 50 indivíduos dos EUA, oferecendo-lhes uma fatia especial da sua centenária história. “Em Abril instituímos o ‘Essential Car Care Program’ como retribuição aos profissionais de saúde em todo os EUA”, afirmou Jeff Guyton, Presidente da MNAO. “Ao longo desta iniciativa pudemos testemunhar o quanto os nossos Concessionários e funcionários estavam gratos por estarem ao serviço das suas comunidades, num gesto de altruísmo que todos os dias lhes era retribuído. Tal inspirou-nos a desenvolver o programa ‘Mazda Heroes’, através do qual prestamos homenagem aos indivíduos que verdadeiramente apoiam as suas comunidades, ao mesmo tempo que partilhamos as suas experiências num momento em que as pessoas estão desejosas de notícias positivas.”

O programa incorpora os valores da marca de apoio às comunidades locais, pela realização de actos altruístas e abordagens criativas. Todos esses heróis olharam para uma necessidade própria da sua comunidade, reunindo esforços para encontrarem e providenciarem soluções adequadas. As candidaturas a “Mazda Heroes” foram submetidas por familiares ou amigos, sem que os visados tivessem conhecimento prévio das mesmas, tendo decorrido até 25 de Outubro último, em plataforma própria.

Os primeiros 3 “Mazda Heroes” já são conhecidos

A Mazda recebeu inúmeras histórias de pessoas que colocaram os demais em primeiro plano, tendo um impacto positivo dessa sua dedicação nas comunidades locais, colocando em prática as suas habilidades e recursos pessoais para cuidar dos necessitados. O grupo de “Mazda Heroes” integrou, maioritariamente, jovens adultos que, entre outras acções, fazem entregas gratuitas de compras de supermercados em casa de pessoas com elevado risco de contrair o vírus, ou que estabeleceram parcerias com restaurantes locais para fornecer refeições gratuitas aos profissionais de saúde, ou até músicos que deram concertos à porta de diferentes serviços sociais, alegrando um pouco a vida da comunidade sénior que há muito se encontra dentro de portas, privada de contactos directos com os seus familiares.

Os premiados-surpresa estão a ser anunciados desde o passado dia 2 de Dezembro, tendo sido os seguintes os primeiros a verem confirmado o seu estatuto de “Mazda Heroe”:

Christie Purviance, enfermeira de cuidados intensivos, de Humble, no estado do Texas, que abdicou do tempo com a sua própria família, incluindo um filho de 7 meses, lutando pelas vidas dos seus doentes no Memorial Hermann, unidade de saúde onde exerce a sua profissão. A nomeação foi feita pela sua irmã Heather, sendo o exemplo apresentado o de Maurice Watkins, internado, em estado muito grave e com prognóstico extremamente reservado, durante 30 dias, sendo que 18 deles passou ligado a um ventilador, num processo documentado pela sua mulher Cindy, num diário;

Jason Erdreich, professor de trabalhos oficinais de Randolph (Nova Jersey), que nas suas horas vagas se dedicou ao desenvolvimento e impressão em 3D de materiais de protecção individual (máscaras, viseiras, óculos, etc). Montando na sala de sua casa um total de 15 impressoras 3D, Jason produziu um largo volume de materiais, entregando-os depois a entidades sanitárias, nomeadamente à corporação de bombeiros local. A nomeação para “Mazda Heroe” foi feita pela sua própria mulher; e

Triana Davis, uma professora do 5º ano da localidade de Byram (Mississipi), que foi nomeada pela sua mulher Dimitria. Numa pequena localidade onde o acesso a computadores e à internet ainda é inalcançável em muitos meios familiares, Triana dedicou-se aos seus 21 alunos, ajudando-os nos estudos, imprimindo-lhes fichas e TPC, distribuindo, depois, esse material pessoalmente e porta a porta, a cada 15 dias. Garantindo-lhes que estava ali com eles e para eles, na impossibilidade de se realizarem as tradicionais festas de graduação de final de ano lectivo, produziu um pack individual e personalizado para cada um dos seus alunos (t-shirts impressas, medalha de mérito e respectivo diploma), entregando-lhes também em mão essa distinção.

Por contemplar estão os restantes 47 “Mazda Heroes”, num processo que se irá prolongar pelos próximos meses, numa actualização que poderá ser seguida em www.mazdausa.com/mazda-heroes ou através do hashtag #mazdaheroes.

A Mazda e as Causas Humanitárias
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A CORTIÇA ESTÁ DE REGRESSO À MAZDA

Inspiração no passado, aplicação no presente e um olhar para o futuro

  • A cortiça está de regresso à Mazda, num tributo a uma matéria-prima que é uma das raízes da sua evolução como empresa hoje centenária.
  • Primeira proposta 100 por cento eléctrica da marca, o novo Mazda MX-30 recupera um legado cujas origens remontam a 1920.
  • Este material sustentável é originário das planícies alentejanas e da envolvente de Hiroshima.

Lisboa, 17 Dezembro 2020. Estivéssemos num tradicional jogo de associações e uma vez mencionada a palavra “cortiça”, a primeira coisa que muito provavelmente nos viria à ideia seria, eventualmente, “vinho”, pelo que se a resposta fosse “automóvel” poderia soar um pouco fora de contexto. Mas não tanto para a Mazda, para quem esta ligação faz todo o sentido, já que não só utiliza este recurso no habitáculo do seu novo SUV MX-30 e-Skyactiv[1], como pelo facto da sua própria actividade industrial se ter iniciado com o processo de transformação da cortiça, então como Toyo Cork Kogyo Co. Ltd., no já longínquo ano de 1920.

Cem anos passados desde essa data, com celebrações iniciadas a 30 de Janeiro último, a aposta da hoje Mazda Motor Corporation centra-se exclusivamente na indústria automóvel e tem como mais recente expoente o novo MX-30, o seu primeiro veículo 100 por cento eléctrico. Automóvel tecnologicamente evoluído nos mais diversos domínios, o MX-30 representa ainda o regresso da cortiça ao universo Mazda, na concepção de secções específicas do seu interior – revestimento da consola central flutuante e como reforço do interior da zona dos seus puxadores das portas – numa aplicação com grande impacto visual e de enorme qualidade.

A recuperação daquele que foi o seu primeiro material de sempre faz-se através de um novo SUV de características inéditas, proposta que chegou aos mercados na segunda metade deste muito atípico ano de 2020 – o seu lançamento em Portugal teve lugar em Setembro último – sublinhando o facto de a Mazda ser o único construtor automóvel no mundo que iniciou a sua actividade na indústria de transformação desta matéria-prima, de cunho tão tipicamente português.

Envolvidas nesse inédito processo de aplicação no habitáculo deste automóvel em particular estão, não só a Mazda Motor Corporation, como duas outras entidades nipónicas, a Uchiyama Manufactoring Corporation e a Daikyo Nishikawa Corporation. Mas a verdadeira fornecedora deste material sustentável é a bem portuguesa Corticeira Amorim SGPS, S.A, reputada holding portuguesa na área da transformação de produtos de cortiça e líder mundial do sector, num processo feito através da sua subsidiária Amorim Cork Composites, unidade de negócio que se dedica ao desenvolvimento de produtos, soluções e aplicações para as mais diversas actividades e sectores de elevada sofisticação, da indústria aeroespacial ao mundo automóvel, entre outras. Material de elevada sustentabilidade, a cortiça confere níveis incrementados de conforto, de impermeabilidade e de isolamento térmico, acústico e anti-vibrações.

Uma aposta que remonta ao início do Século XX

Recuemos, agora, 100 anos, numa viagem virtual à época da outrora Toyo Cork Kogyo, empresa que assentou em duas razões principais a aposta na cortiça como pilares do seu negócio: em primeiro lugar, a abundância de sobreiros na região em redor de Hiroshima; por outro, o facto da indústria naval local estar, à altura e há quase um século, em alta, recorrendo-se à cortiça para produzir materiais para embarcações em madeira. A aposta neste recurso natural era, assim, um negócio óbvio para os objectivos pretendidos.

De regresso a Hiroshima, sua cidade natal, Jujiro Matsuda, o fundador da empresa que hoje conhecemos como Mazda, viria a integrar a Toyo Cork Kogyo como membro do Conselho de Administração após uma carreira de sucesso em Osaka, na área da engenharia e da mecânica, rapidamente progredindo de aprendiz numa ferraria, para deter a sua própria empresa de transformação de metais. Embora experiente em maquinaria, Matsuda rapidamente provou o seu valor em novas áreas, através de um conjunto de grandes ideias, uma das quais teve como base a produção de placas de cortiça, sob pressão. Apesar de alguns contratempos iniciais, Matsuda – que entretanto assumiria o cargo de Presidente da empresa – conseguiu alcançar um conjunto de novos produtos, na forma de materiais de isolamento e de amortecimento, colocando a todo o vapor o negócio da Toyo Cork Kogyo.

Anos mais tarde, em 1927, Matsuda decidia-se pela aposta na produção de maquinaria, facto que levou a que a empresa deixasse cair a referência “Cork” da sua denominação inicial, assumindo-se como Toyo Kogyo, para pouco tempo depois iniciar a produção de pequenos camiões de 3 rodas, alicerçando a vertente automóvel da Mazda do presente. À medida que esta nova área de intervenção crescia, Matsuda via-se obrigado a passar o negócio da cortiça para as mãos de outro fabricante, a então Uchiyama Kogyo Ltd., empresa com sede em Okayama, a leste de Hiroshima. A transição aconteceria em 1944, assumindo esta o controlo das fábricas e da maquinaria de transformação de cortiça, obrigando a Toyo Kogyo a investir no negócio da nova entidade Toyo Cork.

A sustentabilidade na génese do novo Mazda MX-30

Fruto dessas remotas origens, pareceu apropriado que a equipa de design do novo MX-30 se tenha decidido pela integração da cortiça no interior daquele que é o primeiro veículo 100 por cento eléctrico da Mazda, cabendo à hoje Uchiyama Kogyo o fornecimento deste novo material sustentável. Youichi Matsuda, Designer-Chefe do Mazda MX-30, refere: “Quando a Toyo Cork Kogyo foi criada, as tecnologias assentes nos plásticos e nas borrachas não estavam desenvolvidas como hoje, pelo que recorreu-se, então, à cortiça como material alternativo na produção de peças como juntas e isolamentos. Já após a 2ª Guerra Mundial, iniciou-se uma rápida evolução nas áreas das borrachas e dos plásticos numa escala industrial, deixando gradualmente para trás o papel até então desempenhado pela cortiça.”

Passadas várias décadas, numa visão da importância da cortiça na história da Mazda, foi simplesmente justo que Youichi Matsuda e sua equipa acabassem por recorrer a este recurso natural no design interior do novo MX-30. Foi uma decisão fácil de tomar, mas não tanto de implementar, pois o interior de um automóvel pode assumir-se, por vezes, como um ambiente muito violento, fruto, por exemplo, da entrada no habitáculo dos raios ultravioletas, que poderiam degradar a cortiça ao longo do tempo. “Foi todo um novo desafio que se nos deparou”, recorda Matsuda. “Tivemos que cumprir com todos os requisitos, como a durabilidade, a textura e o aspecto visual para que pudéssemos usar a cortiça no interior do novo Mazda MX-30.”

Mas fruto da parceria com entidades de renome para atingir os seus objectivos – entre elas a Amorim Cork Composites – Matsuda estava seguro de que a sua equipa poderia cumprir com os requisitos, recolocando a cortiça de novo na ribalta e com enorme estilo no interior de um modelo Mazda. “Porque a sustentabilidade da cortiça encontra-se perfeitamente alinhada com um modelo com as particularidades do MX-30, recorremos também a um material obtido a partir da reciclagem de garrafas de plástico na composição do revestimento das guarnições das portas, para além de usarmos plástico projectado biologicamente em elementos das portas dianteiras e traseiras.”

A sua aplicação no mundo Mazda do Século XXI

A ideia de usar cortiça no habitáculo de um automóvel pode parecer irrealista, mas na verdade faz todo o sentido em termos de minimização de efeitos nocivos no meio ambiente. Quando o projecto MX-30 arrancou, naquela que é a primeira real proposta nas iniciativas de electrificação da Mazda, definiu-se como segmento-alvo do novo modelo os clientes com uma elevada consciência ambiental, pelo que o recurso à cortiça foi, assim, visto como uma das maiores prioridades desse target, sublinhando a génese da sustentabilidade pela qual a Mazda é reconhecida.

Material de elevado teor ecológico, como produto único gerado pela natureza, a cortiça tem hoje inúmeras aplicações, gerando diferentes sobras, como a inerente à produção de rolhas de garrafas, nomeadamente na indústria vinícola. Para além disso, é uma matéria-prima de características quentes, de toque suave e visual encantador, sendo um produto familiar para o comum dos mortais, entre eles os potenciais clientes portugueses do novo Mazda MX-30.

Como é sabido, a cortiça provém da casca dos sobreiros, em operações de extracção plurianuais realizadas em cada Verão e com timings muito próprios, não implica qualquer abate dos exemplares da espécie, ao mesmo tempo que mantém intocável o inerente processo de fotossíntese. A cortiça presente no habitáculo do novo Mazda MX-30 provém do excedente resultante da indústria da produção de rolhas (também chamadas “sobras”), sendo na sua grande maioria de origem portuguesa, mas também obtida em sobreiros japoneses, contribuindo para um substancial menor desperdício e, por consequência, uma diminuição dos níveis de CO2 emitidos para a atmosfera, caso as mesmas transitassem para processamento e posterior destruição. Mantendo a mesma qualidade intrínseca à das mais comuns rolhas de cortiça, esse excedente é, depois, alvo de transformação segundo um conjunto das mais evoluídas técnicas, de modo a se tornar num elemento decorativo de excelência no interior do MX-30, visualmente diferenciador e muito agradável ao toque, ao mesmo tempo que se garante a mesma durabilidade dos demais elementos que compõem os habitáculos dos restantes modelos Mazda em comercialização.

Dos obstáculos iniciais à passagem à produção

Em termos de aplicação, os designers da Mazda estavam cientes dos obstáculos técnicos que iriam encontrar, nomeadamente por se tratar de um material natural com uma enorme sensibilidade, havendo que pesar todos os prós e contras, em termos do material em si e dos processos com vista à sua aplicação como revestimento, para se alcançar a necessária resistência à abrasão e às demais influências do quotidiano no interior de um automóvel. Feitos os testes e ultrapassadas as condicionantes iniciais, passou-se para a fase de produção, merecendo uma ampla aceitação e reconhecimento de toda a empresa, trazendo ao presente um passado longínquo em que a actividade da agora Mazda se iniciou com a cortiça.

Matéria-prima natural, a cortiça regista enormes níveis de resistência. Um exemplo é o facto de que antes da existência de isolantes com base em borracha sintética ou resina, peças como juntas de cabeça para motores e selagens, entre outras, recorriam à cortiça. Ainda hoje com aplicação real fora do olhar dos clientes, nomeadamente no isolamento térmico e sonoro, a cortiça surge agora visualmente pela mão da Mazda, apostada em colocá-la em destaque no interior do seu novo MX-30, permitindo que os clientes possam ter um contacto directo e real com este material tão precioso!

Para o efeito, após um processo de redução a grânulos de diferentes dimensões desses excedentes, segue-se todo um processo de prensagem, a partir do qual se geram novas folhas de cortiça, após serem preenchidos os espaços entre os grânulos maiores com grânulos mais pequenos, num produto final com capacidades acrescidas a vários níveis. Este método foi especialmente desenvolvido levando em linha de conta as propriedades requeridas para a sua integração no interior do MX-30, nomeadamente ao nível de resistência a uma utilização normal.

Presentes na consola central flutuante e no revestimento do interior dos puxadores das portas do novo MX-30, em ambas as configurações interiores disponíveis no mercado (Vintage Leatherette ou Modern Confidence) os elementos em cortiça são, depois, moldados no formato da superfície e em simultâneo com cada peça em que se inserem, sendo, em seguida, adicionada uma resina especial que penetra na própria cortiça. Para obviar eventuais problemas em termos da manutenção das cores originais, elemento que sofre enormemente pela exposição aos raios UV, procede-se a uma descoloração da cortiça, sendo depois repintada.

Findo esse processo, a consola central flutuante e os painéis das portas do novo MX-30 seguem o seu trajecto para a integração dos restantes componentes – as diferentes tecnologias e os respectivos circuitos eléctricos – até atingirem a linha de montagem da fábrica de Ujina Nº1, em Hiroshima, onde se produz, desde Maio último e em exclusivo mundial, o seu primeiro modelo 100 por cento eléctrico. Dali o inédito e mais recente SUV do catálogo da Mazda segue para os Concessionários da marca.

Com o presente Centenário da Mazda a decorrer – celebra-se até 30 de Janeiro de 2021 – o regresso da cortiça a um lugar de destaque mostra-se perfeito no Mazda MX-30, recordando as origens de uma empresa que se está já a lançar nos próximos 100 anos, mantendo a sua filosofia de constante desafio às convenções, através de soluções por vezes revolucionárias, à semelhança de tantas ao longo da sua história, muitas delas vistas como fora da caixa. Caso ainda estivesse vivo, Jujiro Matsuda daria, decerto, a sua aprovação a este regresso da cortiça!

 

A CORTIÇA ESTÁ DE REGRESSO À MAZDA
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